A função autora na literatura


A função autora na literatura é um conceito que procura explicar o papel desempenhado pelo autor na produção, circulação e interpretação de uma obra literária. O tema ganhou especial relevância no século XX, sobretudo a partir do debate entre o estruturalismo e o pós-estruturalismo.


De modo geral, existem três perspectivas principais:


1. A perspectiva tradicional: o autor como origem do sentido

Durante muito tempo, predominou a ideia de que a obra literária expressava diretamente as intenções, a personalidade e a biografia de seu autor. Assim, compreender a vida do escritor seria uma forma privilegiada de interpretar seus textos.

Essa abordagem é característica da crítica biográfica e do positivismo literário do século XIX. Nela, o autor ocupa uma posição central, sendo considerado a autoridade máxima sobre o significado da obra.


2. A "morte do autor" — Roland Barthes

Em seu célebre ensaio A morte do autor (1967), Barthes rompe com essa tradição.

Segundo ele:

  • o sentido de um texto não pertence ao autor;
  • a escrita é um espaço onde diversas vozes culturais se encontram;
  • quem produz o significado é o leitor, durante a leitura.


Sua frase mais conhecida resume essa ideia:

"O nascimento do leitor deve pagar-se com a morte do Autor."


Barthes não afirma que escritores deixam de existir, mas que suas intenções não devem limitar as interpretações possíveis da obra.


3. A função autor — Michel Foucault

Poucos anos depois, em sua conferência O que é um autor? (1969), Foucault propõe uma visão diferente.

Ele argumenta que o autor não desaparece; o que existe é uma função autor (fonction-auteur).


Essa função é um princípio que organiza os discursos. O nome do autor serve para:

atribuir responsabilidade ao texto;

  • classificá-lo;
  • conferir autoridade;
  • controlar sua circulação e interpretação.

Para Foucault, "autor" não é simplesmente uma pessoa física, mas uma categoria cultural e institucional.