Como devo chamar quem nasce nos EUA?


É muito comum encontrar pessoas que defendem que quem nasce nos Estados Unidos não deveria ser chamado de americano, já que, em tese, América é o nome do continente. 

Mas será que essa crítica faz sentido?

Vamos entender.

O nome oficial do país é Estados Unidos da América (United States of America). Da mesma forma que dizemos apenas Brasil, embora o nome oficial seja República Federativa do Brasil, também é comum referirmo-nos aos EUA por América em determinados contextos. 

Vale lembrar, inclusive, que o Brasil já teve o nome oficial de Estados Unidos do Brasil e todos chamavam o país apenas de Brasil.

O fato de existir um país cujo nome oficial contém América não é algo incomum. É semelhante ao que acontece quando uma cidade e um estado compartilham o mesmo nome, como São Paulo (cidade e estado), Rio de Janeiro (cidade e estado) ou Nova York (New York, cidade e estado).

Mas, afinal, como deveríamos chamar quem nasce nos EUA, se não de americano? Estadunidense? Estado-unidense? Norte-americano? Ianque? Yankee? Americano do Norte?

Cada uma dessas denominações possui limitações. Norte-americano, por exemplo, também pode designar canadenses e mexicanos. Ianque tem um sentido histórico e cultural específico. Já estadunidense é uma alternativa válida e bastante utilizada em alguns países de língua portuguesa e espanhola, embora esteja longe de ser a única forma legítima.

Se levarmos ao extremo a ideia de que um gentílico não pode derivar de um nome compartilhado, talvez também precisássemos questionar por que quem nasce no Brasil é chamado de brasileiro, e não de brasiliense — afinal, o sufixo "-eiro" originalmente indicava profissão, como em padeiro ou carpinteiro, antes de se consolidar como gentílico.

A língua, porém, não obedece apenas à lógica ─ ela é arbitrária autônoma ─ resultado da história, do uso e da convenção. E, nesse aspecto, americano continua sendo um gentílico legítimo para quem nasce nos Estados Unidos, assim como estadunidense também é.