Funções do "o"

O o pode exercer diferentes funções morfossintáticas. Para identificá-las, é importante observar o contexto em que aparece.
1. O como artigo definido
O artigo acompanha um substantivo, determinando-o.
Exemplo:
O aluno chegou cedo.
aluno = substantivo
o = artigo definido
o determina o substantivo aluno.
Outro exemplo:
O professor corrigiu as provas.
o acompanha professor, portanto é artigo.
IMPORTANTE
Se depois do o vier um substantivo, geralmente estamos diante de artigo:
- o menino
- o livro
- o professor
- o problema
2. O como pronome pessoal oblíquo
O o pode substituir um substantivo, funcionando como objeto direto.
Observe:
João comprou o livro.
Podemos evitar a repetição:
João o comprou.
Nesse caso:
o substitui o livro;
exerce função sintática de objeto direto;
sua classe gramatical é pronome pessoal oblíquo átono.
IMPORTANTE
Tente substituir o o por ele:
Eu o encontrei.
→ Eu encontrei ele.
Embora ele não seja a forma adequada na norma-padrão nessa posição, o teste ajuda a perceber que o está substituindo um termo.
3. O como pronome demonstrativo
Essa função costuma causar bastante confusão.
O o pode equivaler a aquilo, isso, aquele fato etc.
Exemplo:
Eu não sabia o que fazer.
Nesse caso, o o não é artigo, porque não está determinando um substantivo.
Podemos entender:
Eu não sabia aquilo que fazer.
Outro exemplo:
O que você disse é verdade.
= Aquilo que você disse é verdade.
Aqui, o é pronome demonstrativo.
Um caso muito importante
O o de do pode ser analisado como pronome demonstrativo, com valor equivalente a aquilo, em uma análise tradicional:
Ele estudou mais do que eu.
= Ele estudou mais daquilo que eu [estudei].
Ou, de maneira mais explícita:
Ele estudou mais do que eu estudei.
Nesse caso:
de = preposição;
o = pronome demonstrativo;
que = pronome relativo;
do = contração de de + o.
4. O como pronome demonstrativo antes de que
Observe:
Faça o que quiser.
Podemos substituir:
Faça aquilo que quiser.
Portanto:
o = pronome demonstrativo;
que = pronome relativo;
“o que quiser” = estrutura equivalente a “aquilo que quiser”.
Esse é um dos casos mais importantes em questões de concurso.
5. O como substantivo
O o também pode ser substantivado, isto é, pode passar a funcionar como um substantivo.
Exemplo:
Não sei o porquê da discussão.
porquê já é substantivo, mas podemos observar casos como:
Não entendi o porquê de sua atitude.
Já em:
O o é uma palavra muito utilizada.
o primeiro o está nomeando a própria palavra o.
Portanto, está substantivado.
Outro exemplo:
Ele não sabe diferenciar o ser do parecer.
Em determinadas construções, palavras ou formas linguísticas podem ser substantivadas.
6. O como parte de uma expressão comparativa
Há construções em que o o aparece associado a que, quanto, como etc.
Por exemplo:
Quanto mais estudo, mais aprendo.
Mas observe:
O que ele falou foi importante.
Aqui temos uma estrutura diferente:
o + que
O o equivale a aquilo, como vimos:
Aquilo que ele falou foi importante.
7. O como artigo antes de palavra substantivada
Às vezes, o o continua sendo artigo, mesmo que a palavra seguinte originalmente pertença a outra classe gramatical.
Observe:
O belo encanta.
Belo normalmente pode ser adjetivo:
Um quadro belo.
Mas em:
O belo encanta.
belo foi substantivado. O o funciona como artigo definido.
Outro exemplo:
O não foi definitivo.
Não é normalmente advérbio, mas foi substantivado pelo artigo.
8. O pode aparecer diante de pronome relativo
Observe:
O livro o qual comprei é excelente.
O primeiro o é artigo:
o livro
Já em:
O livro o qual comprei...
o segundo o faz parte do pronome relativo o qual.
Portanto:
o livro → o = artigo;
o qual → o qual = pronome relativo.