Pressuposto e subentendido


No âmbito da interpretação textual, linguística e pragmática, a principal diferença entre pressuposto e subentendido está no grau de explicitude e na responsabilidade pelo que está sendo dito nas entrelinhas.


Pressuposto

O pressuposto é uma informação implícita que está marcada no texto por meio de palavras ou expressões específicas. É uma ideia que não está dita claramente, mas que é necessária para que a frase faça sentido. Quem fala (ou escreve) utiliza certas palavras que "obrigam" o ouvinte a aceitar aquela informação como verdadeira para compreender a mensagem.

Esse recurso linguístico é um implícito gramatical. A palavra usada já carrega a informação escondida. É como uma "armadilha" no texto que nos faz aceitar uma informação como verdadeira.

Características principais

Está ligado à estrutura linguística (gramática e vocabulário).

É de responsabilidade do enunciador (quem fala).

É facilmente identificável por palavras como: verbos que indicam mudança ou continuidade, advérbios, certos adjetivos, orações adjetivas explicativas etc.

Geralmente, não se pode contestar o pressuposto sem tornar a frase estranha ou sem sentido.


Exemplo:

João parou de fumar.

Informação explícita: No momento atual, João não fuma.

Pressuposto: Antes, João fumava.

A expressão parou de é a marca textual que cria o pressuposto. 


Subentendido

O subentendido é uma informação implícita que depende totalmente do contexto da comunicação. Não há uma palavra ou expressão específica no texto que obrigue a essa interpretação. É uma entrelinha que o locutor sugere, mas que não assume a responsabilidade por ela. Caso seja questionado, o locutor pode se esconder atrás do sentido literal do que disse.

Esse recurso linguístico é um implícito contextual. É uma mensagem nas entrelinhas que depende da nossa capacidade de ler a situação e as intenções do outro. É como uma "sugestão" que pode ou não ser captada.

Características principais

Depende do contexto, da situação e do conhecimento de mundo dos interlocutores.

É de responsabilidade do interpretador (quem ouve/lê), que faz uma inferência.

O locutor pode negar que tinha a intenção de dizer aquilo (Isso é coisa da sua cabeça, eu não disse isso).


Exemplo:

Você vai a pé para casa agora?

Informação explícita: Dúvida se a pessoa vai para casa a pé. 

Subentendida: Eu posso lhe dar uma carona ou é perigoso andar a pé na rua a estas horas.