Posso usar vírgula entre sujeito e verbo?
Essa é uma das regras mais importantes e rígidas da pontuação em português. Vamos entender por que e quando ela pode ser "quebrada".
Regra geral: proibida
A vírgula separa termos, mas o sujeito e o verbo formam uma unidade sintática essencial. Por isso, não podem ser separados por vírgula.
Exemplos inadequados (e comuns):
Os alunos, fizeram a prova.
Maria, comprou um carro.
O homem que chegou ontem, era meu tio.
As ÚNICAS exceções (raras)
A NBR 6022 e as gramáticas tradicionais admitem vírgula entre sujeito e verbo apenas em casos muito específicos:
1. Sujeito composto com termos repetidos ou listados
Amor, ódio, ciúmes, paixão — tudo isso faz parte da vida.
(A vírgula separa os itens da lista, mas o verbo "faz" vem depois de tudo; técnicamente, o sujeito é tudo isso.)
Na verdade, este não é bem um sujeito longo separado do verbo, mas um aposto enumerativo.
Sujeito deslocado para ênfase (estilo literário/postoque)
O destino, a sorte, a vontade, determinam nossa vida.
(Muito raro, apenas em textos formais ou literários com pausa muito forte.)
Intercalação de expressão explicativa (aposto ou vocativo)
Aqui a vírgula não separa sujeito de verbo, mas isola um termo intercalado:
O presidente, como todos sabem, tomou uma decisão difícil.
(A vírgula isola "como todos sabem", não separa "presidente" de "tomou".)
Se você tirar o intercalado, volta a não ter vírgula:
O presidente tomou uma decisão difícil.
