Variações linguísticas
Variação linguística designa a variedade da língua definida de acordo com o seu uso em situações sociais. As variações podem ocorrer a nível fonético e fonológico, morfológico, sintático e semântico.
A linguagem informal é constituída por marcas da oralidade, seja abreviações, "erros de concordância", gírias, expressão menos prestigiadas, prosódias etc.
Historicamente, a fala precede a escrita, ou seja, a escrita foi criada a partir da comunicação entre os homens bem como da necessidade de registro.
A linguagem informal não pode ser considerada errada, uma vez que os falantes da língua utilizam a informalidade de acordo com determinados contextos. Quando se fala em ambientes formais, por exemplo, essas marcas são deixadas de lado, para dar lugar a uma linguagem mais monitorada, ou seja, aquela em que não notamos as marcas da oralidade, e que intuitivamente utilizamos em determinados contextos de produção que exigem formalidades.
As variações linguísticas reúnem as variantes da língua que foram criadas e são constantemente reinventadas a cada dia. Dessas reinvenções surgem as variações que envolvem diversos aspectos históricos, sociais, culturais, geográficos, entre outros.
Há diversos tipos de variações linguísticas segundo o campo de atuação:
1. Variação geográfica ou diatópica
Está relacionada com o local em que é desenvolvida, tal como as variações entre o português do Brasil e de Portugal, chamadas de regionalismo. É a forma como uma língua é realizada numa região específica. A mesma variante é também chamada diatópica, geográfica ou geolinguística.
2. Variação histórica ou diacrônica
Ela ocorre com o desenvolvimento da história com o tempo, tal como o português medieval e o atual.
3. Variação social ou diastrática
É percebida segundo os grupos (ou classes) sociais envolvidos, dos estratos, tal como uma conversa entre um orador jurídico e um morador de rua. Exemplo desse tipo de variação são os socioletos.
Os jargões, que compõem o linguajar usado em um grupo especifico, podendo ser profissional, cultural ou social. Relacionados à faixa etária, profissão, estrato social, entre outros.
Exemplos:
A linguagem dos grupos de rap, dos surfistas, a linguagem da classe médica, e até mesmo a linguagem dos mais velhos e das crianças.
A comunidade LGBTQI+, por exemplo, possui gírias próprias, que se diferenciam das gírias utilizadas por outros grupos.
4. Variação situacional, de estilo ou diafásica
Ocorre de acordo com o contexto, por exemplo, situações formais e informais.
Dependem do contexto comunicativo, ou seja, a ocasião é que determina a maneira como nos dirigimos ao nosso interlocutor, se deve ser formal ou informal.
Exemplo disso é um bate-papo informal e um discurso proferido em um evento solene.
Outros exemplos são expressões conotativas ou mesmo gírias quando evocadas em sentidos de informalidade: levei um bolo; puxar ferro; catar coquinho.
5. Variação diamésica
A variação diamésica é a que acontece entre a fala e a escrita ou entre os gêneros textuais, ou seja, suportes de transmissão de uma dada informação que contenham características quase regulares.
Exemplo:
O WhatsApp e a bula de remédio.
Considera-se que se pode construir um texto escrito marcado por expressões tipicamente orais e vice-versa.
