Quando há verbos nominais na oração?
Uma forma nominal constitui oração quando exerce função verbal e possui uma estrutura sintática própria, geralmente com sujeito ou complementos ligados a ela.
Não constitui oração quando a forma nominal funciona apenas como uma palavra dentro de outra estrutura, assumindo valor de substantivo, adjetivo ou fazendo parte de uma locução verbal.
1. Infinitivo
O infinitivo pode ou não formar oração.
a) Infinitivo que constitui oração
É importante estudar para a prova.
Temos:
É importante → oração principal;
estudar para a prova → oração subordinada substantiva subjetiva.
Por quê?
Porque estudar mantém valor verbal e possui um complemento: para a prova.
Outro exemplo:
Maria deseja viajar.
Maria deseja → oração principal;
viajar → oração subordinada substantiva objetiva direta.
Aqui, viajar é verbo e introduz uma segunda estrutura oracional.
b) Infinitivo que não constitui oração
O estudar é importante.
Nesse caso, estudar está substantivado. Equivale aproximadamente a:
O estudo é importante.
Portanto, não temos uma oração formada por estudar.
O infinitivo está funcionando como substantivo, núcleo do sujeito.
Outro exemplo:
O prazer de viajar é enorme.
Aqui, viajar está ligado à preposição de e integra o sintagma nominal o prazer de viajar.
Não constitui, por si só, uma oração.
2. Gerúndio
O mesmo acontece com o gerúndio.
a) Gerúndio que constitui oração
Chegando a casa, Ana ligou para a mãe.
Temos:
Chegando a casa → oração subordinada adverbial reduzida de gerúndio;
Ana ligou para a mãe → oração principal.
Chegando mantém valor verbal e possui um complemento: a casa.
Outro exemplo:
João saiu correndo.
Dependendo da análise adotada, correndo pode integrar uma oração reduzida de gerúndio, com valor adverbial, indicando o modo da ação de sair.
b) Gerúndio que não constitui oração independente
Ana está estudando.
Aqui temos dois verbos:
está + estudando
Mas não temos duas orações.
Isso é uma locução verbal.
Portanto:
Ana está estudando. → 1 oração
O gerúndio estudando é o verbo principal da locução, enquanto está funciona como auxiliar.
3. Particípio
O particípio também pode constituir ou não uma estrutura oracional.
a) Particípio que integra uma oração reduzida
Terminada a aula, os alunos saíram.
Temos:
Terminada a aula → oração subordinada adverbial reduzida de particípio;
os alunos saíram → oração principal.
Terminada mantém valor verbal e estabelece uma relação com a aula.
A construção equivale a:
Quando a aula terminou, os alunos saíram.
b) Particípio que não constitui oração
A porta fechada impedia a entrada.
Aqui, fechada funciona como adjetivo, caracterizando porta.
Compare:
A porta estava fechada.
Nesse caso, fechada também funciona como predicativo do sujeito, e estava é o verbo de ligação.
Portanto, não devemos dizer que fechada é uma oração.
Uma comparação muito importante
Observe estas três frases:
1. Ana está estudando.
está estudando = locução verbal
→ 1 oração
2. Ana gosta de estudar.
estudar = verbo no infinitivo, com função verbal
→ 2 orações
3. O estudar é importante.
estudar = substantivo
→ 1 oração
Como identificar na prática?
Uma boa estratégia é perguntar:
A forma nominal ainda está funcionando como verbo?
Se sim, pode constituir uma oração reduzida.
Ao chegar à escola, João encontrou Maria.
chegar = verbo → oração reduzida de infinitivo.
Se não, e a palavra está funcionando como substantivo, adjetivo ou parte de uma locução verbal, não constitui uma oração independente.
O chegar de João foi inesperado.
chegar = substantivo → não é uma oração.
João está chegando.
chegando = parte da locução verbal → não é uma oração independente.
A criança cansada dormiu.
cansada = adjetivo → não é oração.
