Fragmento 62
Por sua vez, o inverno não trouxera a ele grandes decepções. Pelo contrário, veio acompanhado de um sorriso tenro que aquecia sua alma, antes ressequida pelo sofrimento causado por um estranhamento das próprias experiências trazidas pela existência ─ havia se deparado brutalmente com alguém com quem passou brevemente um tempo, e logo se despediria. Havia um sentimento incrustado no peito, antes desconhecido, mas que o impulsionava a viver outras grandes aventuras pelo mundo. Queria agora estar em Paris, e logo depois em Amsterdã. Mas nunca no mesmo lugar. Era a sede de viver o mundo, de sentir outras pessoas. Era mais necessidade do que desejo. Na verdade, não sabia bem o que sucedia. Talvez, a vida correndo pelo seu corpo, como o sangue que percorre as veias em um movimento constante pela vida; as cores e outros sabores passavam pelos seus olhos, pelos seus lábios. O aventureiro só tinha certeza de uma coisa: arriscar-se custou-lhe todas as certezas, antes mantidas intactas, quando ainda não conhecia o resto do mundo.
Alecto Grego
